Placement
Esse mês comecei meu placement em um hospital psiquiátrico em Londres e em um hospital de emergência, e tem sido muito interessante, mais do que eu imaginava. Tem alguns pontos que merecem pelo menos algumas linhas neste bloguinho.
Sobre mim: a cada dia que passa, me vejo cada vez menos preocupada com coisas que não estejam relacionadas à loucura. Tenho trabalhado em casos complexos, difíceis, em que as pessoas estão a ponto de perder a cordura, mas não a perdem. É uma linha tênue entre o aqui e o outro lado. Confesso que, às vezes, sinto uma vontade de passear com elas por esse lugar. Quase uma inveja. Me pergunto o que haverá daquele lado, para onde elas vão e de onde voltam. É como se algumas pessoas tivessem o direito de se quebrar, e as que estamos aqui, não.
Quando cruzo a porta de um ward, é quase como se estivesse entrando em outra dimensão. É triste e fascinante. Alguns sabem perfeitamente o que estão fazendo ali. Por alguns momentos, reconhecem sua condição e falam sobre ela como se falassem de uma pessoa de carne e osso: um parente que chega sem avisar, se instala, dorme, come, suja a casa, usa suas coisas íntimas sem pedir e vai embora sem se despedir, sem dizer se ou quando vai voltar.
Sobre mim no ambiente de trabalho: tudo o que não é genuíno sobra. Não há necessidade de fingir, de performar, de ser o que não se é. Talvez porque sejamos psicólogos, ou porque trabalhamos com pessoas que vivem em um mundo com regras diferentes, não sei. Só sei que lá eu posso ser eu.
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