sábado, 4 de julho de 2026

Fomos à praia

A Europa está sofrendo com ondas de calor fortíssimas. É inacreditável como, a cada ano que passa, minhas carioquices se desprendem do meu ser. Nunca que 33 graus me fariam derreter de calor.

Mas, falando sério, o calor em Londres é muito diferente. Como a arquitetura aqui é pensada para reter o calor, a gente assa. Fico pensando nos pacientes que estão internados e têm que dormir sem ventilador ou ar-condicionado. A privação de sono pode ser um fator importante para a deterioração da saúde mental, e algumas medicações também podem causar reações ao calor e ao sol. São tantas variáveis. Tadinhos.

O calor também me afetou física e emocionalmente. Esta semana chorei de cansaço. Sentei e chorei. São tantas coisas acontecendo, tantas reuniões, deadlines, conversas intermináveis em inglês, que decidimos ir à praia para relaxar.

Fomos à praia mais popular e odiada da Inglaterra, Brighton. Apesar de não ter areia e de a praia ser de pedra, a água estava maravilhosa, as pessoas muito simpáticas e agradáveis, e a cidade uma gracinha. A comida continua parecendo a mesma de Londres, insossa, mas valeu a pena pelo fish and chips.

Quando cheguei à Europa, eu vivia viajando e saltitando por aí. Hoje, descobrir que existe uma praia a uma hora e meia de casa me anima mais do que um voo barato para outro país. Será velhice? Ou, de repente, quando o mestrado acabar, eu fique animada de novo.

Por alguma razão, os ingleses gostam de parques de diversão nas praias, rs 



bymairaalves


                         
bymairalaves

See you soon, Brighton ❤

quarta-feira, 20 de maio de 2026

placement

 Placement

Esse mês comecei meu placement em um hospital psiquiátrico em Londres e em um hospital de emergência, e tem sido muito interessante, mais do que eu imaginava. Tem alguns pontos que merecem pelo menos algumas linhas neste bloguinho.

Sobre mim: a cada dia que passa, me vejo cada vez menos preocupada com coisas que não estejam relacionadas à loucura. Tenho trabalhado em casos complexos, difíceis, em que as pessoas estão a ponto de perder a cordura, mas não a perdem. É uma linha tênue entre o aqui e o outro lado. Confesso que, às vezes, sinto uma vontade de passear com elas por esse lugar. Quase uma inveja. Me pergunto o que haverá daquele lado, para onde elas vão e de onde voltam. É como se algumas pessoas tivessem o direito de se quebrar, e as que estamos aqui, não.

Quando cruzo a porta de um ward, é quase como se estivesse entrando em outra dimensão. É triste e fascinante. Alguns sabem perfeitamente o que estão fazendo ali. Por alguns momentos, reconhecem sua condição e falam sobre ela como se falassem de uma pessoa de carne e osso: um parente que chega sem avisar, se instala, dorme, come, suja a casa, usa suas coisas íntimas sem pedir e vai embora sem se despedir, sem dizer se ou quando vai voltar.

Sobre mim no ambiente de trabalho: tudo o que não é genuíno sobra. Não há necessidade de fingir, de performar, de ser o que não se é. Talvez porque sejamos psicólogos, ou porque trabalhamos com pessoas que vivem em um mundo com regras diferentes, não sei. Só sei que lá eu posso ser eu.

quinta-feira, 14 de maio de 2026

Psicose e a realidade

Uma das formas de descrever a psicose é como uma desconexão com a realidade. Durante minha pesquisa de dissertação de mestrado, tenho observado o que leva alguém a romper completamente com o real e viver em outra realidade, mesmo que ela seja terrorífica. Fui impactada pela quantidade de traumas infantis que essas pessoas sofreram. E é sobre isso que quero falar neste post.

Até que meu artigo seja publicado, este texto será apenas uma reflexão a partir das minhas percepções clínicas e dos casos que tenho analisado. Revisando quase 100 casos, notei que a grande maioria teve experiências traumáticas na infância: abuso sexual, físico e emocional, bullying, negligência emocional e física, além de imigração em condições adversas e abandono.

Dentre os casos que li, me perguntei como um ser humano vivendo em condições precárias (e aqui precariedade não está apenas relacionada a dinheiro) poderia não criar uma realidade paralela para enfrentar situações quase absurdas para quem não trabalha no setor.

Uma criança com alguma predisposição genética e que precisa lidar com a separação dos pais poderia desenvolver um episódio psicótico na adolescência ou na fase adulta? Segundo minhas pesquisas, sim. Mas o interessante é que, paralelamente ao trauma que a separação pode causar, outras experiências traumáticas também podem ser vividas por esse mesmo indivíduo. Quero dizer, é muito provável que uma criança que cresceu em uma casa caótica, com gritos e discussões, também tenha sido negligenciada, presenciado episódios de violência doméstica ou sido vítima dela, por exemplo.

Um cenário comum é ver uma pessoa que foi emocionalmente criticada e abusada na infância e que desenvolveu um quadro psicótico, podendo ter ideias de referência, como se as pessoas estivessem rindo dela, criticando-a ou diminuindo-a. Revisando esses históricos reais, a gente consegue fazer uma ligação entre os abusos e os sintomas. Por isso a importância da terapia.

Imaginar alguém que rompe com a realidade é também imaginar os possíveis momentos difíceis que essa pessoa possa ter vivido. É bem verdade que, em alguns casos que analisei, não encontrei nenhum trauma e me pergunto se essa pessoa foi corretamente avaliada ou se precisaria de mais sessões até se sentir pronta para falar sobre isso.

É tão evidente que as pessoas são únicas e que cada uma é capaz de suportar, ou não, determinadas experiências, mas o mundo tenta padronizar tudo. A gente ouve muita gente dizer: “Ah! Mas, quando eu era criança, eu passei por coisa muito pior.” A observação é válida, porque somos únicos e muitas variáveis podem levar a um episódio psicótico. A repetição do trauma, o tempo de exposição, tudo isso deve ser levado em conta.

A desconexão com a realidade, sem querer romantizá-la, pode ser, em alguns casos, uma tentativa extrema da mente de sobreviver ao que parece insuportável.


quinta-feira, 26 de março de 2026

Senhas

Eu aguento até os estetas
Eu não julgo competência
Eu não ligo para etiqueta
Eu aplaudo rebeldias
Eu respeito tiranias
E compreendo piedades
Eu não condeno mentiras

Eu não condeno vaidades 


sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

Luke, Luck and Lucky

I met a friend called Luke. When I say his name, my brazilian accent makes it sound like Lucky 🍀

quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

I’m a therapist

Guys, I don’t think I ever mentioned this, but I'm working in a mental health hospital in South London, and honestly, it changed everything for me, both professionally and personally. I finally started running 1:1 sessions and also group sessions with carers of people going through mental health stuff

My first session felt like a proper moment. For the first time I wasn’t the patient, I was the one holding the space. I kept thinking about all the therapists I’ve had, the good ones and the not so great ones, and I realised how much my own mental health journey and therapy process helped me connect and build a genuine bond with my carers.

And of course, my first case couldn’t be simple it was actually one of the most complex ones I’ve had, even looking back now after a year. But during the review, the carer and I could see how much had changed. And honestly, even without the formal assessment, you could just see it in her face

What I find really interesting is that most psychological interventions here in England are CBT-based. In my field, early intervention in psychosis, it’s all about CBTp. And funny enough, CBT never really made much sense to me personally, the only thing that ever truly helped me was psychoanalysis. So seeing so many people actually benefiting from CBTp has been kind of amazing, not gonna lie



bymaira